Mas voltando ao ponto sério do negócio: o vulcão Llaima, no Chile ou aquele do Arquipélago de Galápagos que resolveu acordar depois de um tempinho “taking a snap”; o terremoto de 6.3 na escala Richter que devastou a cidade de L’Áquila, na Itália; ou, apesar do que diz Ney Matogrosso quando canta que não existe pecado do lado debaixo do Equador, a enchente que assolou a cidade de Altamira, no Pará (é... lá mesmo onde mataram a tal feira bacaninha) e aquelas “quase” tsunamis que atingiram a baixada santista.
Essas catástrofes naturais já seriam por elas mesmas tristes o suficiente. A destruição causada por tais eventos são de partir o coração de nós, aqui tão longe, meros mortais que apesar de termos a sorte de não sofrer com as dores de cabeça de São Pedro ainda temos a cara de pau de reclamarmos que não deu tempo de tirar a roupa do varal antes da chuvinha que deu, ou escutarmos um amigo “cramar” (dicionário de monyês) porque acabou de lavar, encerar e cristalizar o carro e aquela chuva que deu domingo passado deixou a estradinha que leva para o campo de futebol às quartas-feiras à noite embarreada, ou aquela sua amiga que desce do carro correndo com a bolsa DE MÃO (veja bem, de mão! Só se fosse a mão do Oscar Schmidt para surtar algum efeito) na cabeça para não molhar os cabelos e estragar a escova que acabou de fazer no Eduardo’s.
Mas como se não bastasse a dor de perder suas casas, seus sonhos, seus parentes, suas vidas, ver tudo isso ir embora junto com lavas, escombros, lama, água... o sofrimento causado por tudo isso ainda é agravado por um bando de gente, ou melhor, insetos que se aproveitam da tristeza, da desolação, do vazio deixado por casos fortuitos e destroem, invadem, saqueiam o pouco que restou da vida de quem perdeu quase tudo. São como ratos que invadem os lixões de um final de feira para filar os restos deixados por quem não encheu o carrinho.
O pior de tudo é que esse tipo de ladrão, pirata, malandro, político (ooops) não ataca somente em desastres meteorológicas. Esses seres estão espalhados pelo mundo todo. Mas passo aqui a falar de bandidos, estelionatários, infratores que atacam outro âmbito. Este segundo grupo está sempre à procura de algum coração que tenha sido devastado por um vulcãozinho, um terremotozinho, uma ondinha, uma chuvinha...Pessoas que se aproveitam da dor de alguém para invadir seus sentimentos e saquear suas esperanças, sonhos, amores. Parasitas que usam do ponto fraco de outra pessoa e entram no pouquinho que lhe sobrou da calamidade que passou. Mais grave do que ocorre nos desmandos da natureza, quando os saqueadores aparecem na vida ou no coração de alguém (e não em sua casa ou comércio), eles usam do pior artifício para ter a passagem livre: a confiança da vítima. São pessoas ardilosas que sabem como manipular nossa dor e se mostram tão solidárias que as deixamos entrar, sentar no sofá, tirar os sapatos, abrir a porta da geladeira, ser o “dono do controle remoto” e de repente, quando chegamos em casa depois de um dia exaustivo, encontramos todos os cômodos vazios, nenhuma cerveja na geladeira e um bilhete escrito no verso da conta de telefone dizendo: “Não é você, sou eu!” Como assiiiiiimmmm??????? O que quer dizer essa p**** dessa frase? Cadê o complemento? Não é você o quê? Sou eu o quê? Não é você que vai curtir normalmente a balada, sou eu!? Não é você que vai ficar dando risada porque enganou um trouxa, sou eu? Não é você o esperto que usou da sua fragilidade e saqueou seus sentimentos, sou eu? Ai que gastuuuuuuuuuuuuuuuuuuura!!!
Esses caçadores são, na verdade fracos. Fracos por não terem coragem de ter uma vida própria, um sonho próprio, um sentimento próprio e se aproveitam da porta aberta que alguém que tem tudo isso deixou, mas sofreu a dor de deixar a correnteza levar a maior parte.
Mas como todo mundo que tem medo da própria fraqueza esses vilões tentam buscar alguém que aparentemente está numa posição mais fraca para se sentirem superiores e tirarem vantagem disso. Esses ratos nos deixam no chão quando batem a porta e abandonam a casa vazia com a gente chorando na única almofada que sobrou. Acabamos pegando o celular, ligando pro chinês, pedindo comida para três pessoas, um refrigerante NORMAL de 2,5 lts (sim porque nessa hora a gente esquece completamente de que queremos ser magras), comemos tudo, bebemos tudo, choramos mais ainda por termos ingerido 8.000 calorias e continuarmos sozinha. Mas aí, depois de um tempinho chorando, como fortes que somos inventamos a “Hora do Planeta”. Primeiro aplicamos no planeta mesmo. Apagamos as luzes durante uma hora como um ato simbólico para tentarmos salvar o lugar onde vivemos e ter a esperança de que essas forças da natureza nos darão um tempinho. Depois, usamos isso em nossa própria vida. Talvez o conceito de tempo não possa ser aplicado igualmente aqui, afinal 1 hora para resolver questões do coração só serviria para uma mosca que vive 24 horas, não!?
Mas o ato simbólico continua. Apagamos as luzes que nos deixam ver todas as tristezas, as dores, as mentiras e as enganações que aqueles saqueadores nos deixaram e aproveitamos esse escuro interior para passar tudo a limpo. Aí, passado esse tempo, reacendemos todo nosso brilho, levantamos a poeira da faxina que fizemos e damos a volta por cima! Como, aliás, todos os que sobrevivem à uma catástrofe natural: choram, sofrem, mas limpam a sujeira, compram de novo as coisas que foram saqueadas e reconstroem a vida.
Assim somos nós também. Pelo menos os fortes. Os piratas até conseguem chegar perto para roubarem nossos sentimentos. Mas eles conseguem por que nós permitimos. Não por fraqueza ou por causa dos dedos podres (e olha que eu entendo disso), mas porque a gente quer viver tudo de verdade. Sem medo se vai chover, nevar, ventar, tremer.... Aliás, se isso não acontece, pra nós não tem graça. Queremos mais é ter a chance de viver um sentimento que nos faz nos sentirmos no meio de um terremoto, uma tsunami, uma nevasca... mas para que nossas pernas tremam, nosso coração seja invadido por uma onda gigantesca de alegria e nos sentirmos como crianças que brincam com bonecos de neve.
Aos ladrões resta somente a preocupação de bolar outro plano maquiavélico para tentar enganar outra pessoa, pois tudo o que eles tiraram dos que deixaram pra trás já foi perdido por não ter sido ganho de maneira honesta e verdadeira. E esses sentimentos não crescem... pelo contrário,
morrem.E para nós, resta a sensação de podermos recomeçar a vida com um coração marcado, cheio de cicatrizes, mas, acima de tudo, feliz por ter vivido cada uma das emoções pelas quais passamos. Nossa BOM MAIOR - nostro cuore!
E costumavam chamar os enganadores de malandros... Quem é o malandro aqui? Como diria o ditado, a maior malandragem é ser honesto!!
Que venham os malandros!!!


Complexo é meu sobrenome!! Adoro complicar as coisas. Mas no fundo, se prestar bem atenção, verá que é bem simples.
ResponderExcluirE... 43 minutos? 43, pra mim, é número de olhar, não!? Essa foi péssima.
Pra uma conversa boa e complexa mais do que isso é preciso... Talvez... SESSENTA!!
E não dá para enumerar o ladrão, pois se eu fizesse isso, seria uma nova versão (e, claro muito mais bonita) de la prima donna capo, Giusy Vitale. Pois seria, praticamente, uma delação premiada, uma vez que até eu, confesso, já fiz isso alguma vez. E entregar companheiros não é permitido.
Enfim.... É isso!
Monynha, minha querida! Eu estava quase cortando os pulsos com meu Presto Barba por conta da minha insônia quando resolvi fuçar no teu blog. Terminei de ler e corri pra cozinha pra pegar o cutelo porque achei que o Presto Barba teria pouco efeito... Rrss!!
ResponderExcluirMenina! Não é que eu me peguei chorando na almofada dia desses? Eu me vi!! Parecia que tava falando de mim, credo!! E o pior é que o bofe esqueceu uma foto dele DE PROPÓSITO numa das gavetas. Em bom monyês: que gastuuuuuuura!!
E o que vc tomou pra juntar esses dois assuntos? Como teve a idéia de linkar catástrofes meteorológicas com roubos de coração? hahahaha Ainda bem que eu já te vi viajando e contando estórias quando estávamos com umas a mais na cabeça, na saída da Love Story - a casa de todas as casas!! hahahaha
Buuut... não sei se vou dormir agora, mas sei que vou ler mais alguns "testículos" seus (já que grãos vc não tem kkkkkkk) pra espairecer.
E, outra coisa: ai se eu gostasse de mulher.... te pegava fácil! rs.... (bate na madeira)
Beijos Mona!! Quer dizer, Monya!!
È... Parece que eu já vi esta história em algum lugar. Mas vc já ouviu o ditado: "a ocasião faz o ladrão"? Quem manda abrir o coração p/ qualquer um, no final de tudo, nós somos sempre os culpados. Culpados por não aprendermos com escolhas erradas e o que é pior, não sabermos lidar com as consequências destas escolhas.
ResponderExcluirO que fazer então? Guardar as lebranças com carinho no peito, sair p/ o batuque, e acreditar sempre na capacidade da superação...
Lembre-se: "No final de uma noite de tempestade, o sol sempre volta a brilhar"...
A sua capacidade de juntar assuntos é máára.
ResponderExcluirAlém do seu conhecimento novelesco.
Estou esperando o próximo post.
beijo.