sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O benefício da dúvida... Benefício?

Do fundo do meu coração, mas bem no fundinho mesmo, eu tenho dó do pobre Bentinho. Sim porque ele, realmente achava que Capitolina o traíra. E pior... ele sofreu com esse “achismo”. Isso é digno de dó.
Na minha época de escola, tinha-se que ler “Dom Casmurro” em livro mesmo. Sabe aquelas listas intermináveis de obras da Sra. Literatura Brasileira que tínhamos que ler para os vestibulares? Então... Cá entre nós, devo confessar que algumas delas eu apelei para o resumão básico mesmo (que nossos professores não nos leiam) – Dom Casmurro estava entre essas.
Mas para aqueles que não são da minha época ou que sempre acharam que Capitu era a garota de programa que Giovanna Antonelli fazia em Laços de Família, podem assistir à uma “licença poética” de Dom Casmurro nas noites da Globo.
É verdade que a minissérie é um tanto quanto confusa, mas o “angú” do negócio pode ser extraído... Ele gira em torno do CIÚME de Bentinho pela serelepe da Capitu. Esse sim, estamos falando aqui do ciúme, é um bicho sem-vergonha!! Essa pulguinha do ciúme pode acabar com tanta coisa de valor.
Eu sofri inúmeras vezes com isso. Não que a ciumenta fosse eu. Pelo contrário!! Sou sim... mas não por “achismos”. Não fico me torturando ou tentando adivinhar isso ou aquilo. Não fico com dor no estômago de imaginar que Capitu está a olhar os rapazes na janela enquanto estou cá preso nesse seminário. Ou querendo decifrar a alegria que toma conta dela enquanto me mantêm aqui nesse fim de mundo... Pára com isso!!
Essa coisa que dizem que ciúme é bom, só se for pra terapeuta de casal, amado! Ciúme não é bom pra ninguém. Ciúme comedido deveria se chamar “zelo” só para escapar à categoria triste dessa palavra - ciúme. Sei que é praticamente impossível não sentir ciúme, mas se for pra senti-lo, que o faça sozinho. Ninguém precisa saber que você, sem razão alguma, está sentindo isso. E mesmo que tenha a tal razão e não conseguir guardar mais aquilo por que vai explodir, converse, veja bem, converse, com quem precisa saber. Sozinhos! E em tom cordial... caso contrário, só vai piorar.... Vai por mim.
A própria história que deu ensejo a esse texto aqui acaba mal mal por conta desse tal de ciúme. O pobre diabo do Bentinho torna-se Dom Casmurro justamente por ficar sozinho, pois mandou Capitu para Europa junto com o filho Ezequiel por achar que esse era fruto da traição de sua amada com seu melhor amigo. Acaba perdendo os dois pra morte. Ou seja.... Viúvo e corno... ou não!? Quem vai saber? Quem pode provar?
Portanto, a não ser que tenha provas irrefutáveis, pra que perder tempo com ciúme? Sabe... ciúme das suas coisinhas, da sua casa, daquele par de chinelos horríveis de flanela que você tem há 15 anos, ou seus brinquinhos todos guardados em saquinhos transparentes... eu entendo... mesmo por que essas coisinhas não atingem ninguém mesmo – e eu tenho sim, e daí?! Adoro aquele chinelo....
Mas o ciúme, às vezes, é um sentimento tão forte que se o trocássemos por carinho ou atenção, passaríamos momentos muito mais agradáveis ao lado de quem amamos e não perderíamos, além de tempo, sono! Ou perderíamos, mas por uma causa justa... depois a gente vira pro lado e dorme um pouquinho...rs....
Ah, e com todo respeito à obra de Machado de Assis, “olhos de ressaca”???? Aliás, cá pra nós, alguém que dá a qualidade de “ressaca” a olhos que julga bonitos, merece mesmo a eterna sombra da dúvida...... Olhos de ressaca.... tenha santa paciência.....

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