sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um desabafo em voz alta pra ver se EU me escuto!!!

Talvez eu me contradiga um pouco diante do último texto que escrevi. Mas, como mulher, geminiana e no meio de uma terapia que tenta me mostrar quem eu sou de verdade, eu tenho essa prerrogativa!!! Então resolvi ir tirando de dentro de mim o que eu acredito que pode ser pesado e dificultar minha "evolução". Sendo assim.....

Há quem diga que morreria junto caso a pessoa amada morresse. Eu acredito nisso. Como diria o grande Otto Lara Rezende, “De fato morre-se; morremos todos; o mais é mentira; o mais é supérfluo; o mais é nada.”
Quando se perde quem se ama para a morte, morre-se junto. Mesmo!
O casal deixa de existir. A cumplicidade, os sonhos, os beijos, os segredos... até mesmo as brigas morrem. Pois passam a não ser mais. Tornam-se lembranças e saudade.
É como se perdesse a identidade, sabe? Aquela pessoa que existia ao lado de quem se foi não existe mais. Você não vai mais ouvir o apelido pelo qual ele te chamava, não vai mais ter o olhar dele quando você mudava o cabelo ou deixava a comida escapar do prato, não vai mais ter que perguntar por que ele não atendeu ao telefone ou porque ele resolveu colocar aquela bermuda branca que você odeia... Não há mais...
Mas a diferença está em COMO se encara essa morte. A sua morte.
Há aqueles que se enterram junto com quem se foi. Abdicam da própria vida para mergulhar no escuro da falta que ele faz. Lamentam a perda, maldizem a vida, culpam as circunstâncias e chegam a questionar Deus.
Essas pessoas parecem esperar que o mesmo aconteça com elas. A tristeza e a dor da perda passam e então se tornam amargura, azedume, solidão...
Particularmente, passei por esse período, confesso. Cheguei nesse estágio.
Mas há os que, apesar de morrerem junto, nascem de novo. Entendem que aquele casal, embora não exista mais (fisicamente) passou a ser parte integrante das lembranças boas que viveram juntos. A saudade serve para manter o sentimento vivo. E usam isso para recomeçar.
Eu já começo a aceitar tudo. Na verdade, acho que já estou demorando tempo demais para isso. Não é difícil aceitar, fazer-se aceitar geralmente é mais complexo. Mas eu chego lá...
Aliás, como sempre cheguei onde eu fiz por onde chegar. Não que eu seja a pessoa mais perseverante, insistente, decidida ou até mesmo competente em alcançar meus objetivos... mas por que, de uma maneira ou outra, com ou sem dor, com muita vontade ou necessidade, tentei sempre buscar o que eu achava ser melhor pra mim. Claro que algumas vezes, esse “melhor” só era pra mim mesmo...
Apesar dos 31 anos, tenho uma certa experiência que tenta, veja bem, tenta me orientar. Mas quem disse que eu sempre a escuto?
Não bastou ter sido Eva pra agradar Adão, Amélia pra agradar a sociedade, “filhinha” pra agradar os pais, “fraterna” pra agradar as irmãs e o irmão ou “gente boa” pra agradar os amigos... eu queria mesmo era ser EU.
E sou! Ou, talvez... descobrindo que SOU
Monya... o tempo me ensinou a ser isso, ou melhor, ESSA.
Tenho mais definido hoje, que sou a única pessoa da qual depende minha felicidade. É claro que minha mãe, meu pai, minhas irmãs, meu irmão, as pessoas que me amam, minha terapeuta (risos...) sempre fazem parte do que me faz feliz... mas se não dependesse de eu aceitar essa participação deles, de que adiantaria? Quantas pessoas têm tanta gente que lhes quer bem e não são felizes... Só eu tenho o poder de me fazer feliz...
E foi agora, depois dos 30 que comecei a compreender porque parece que o tempo acelera quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Tudo parece que foi ontem, que o hoje não é suficiente para fazermos tudo e o amanhã vai chegar daqui à 1 hora.
Tudo depende do ponto de vista. De como se olha pras coisas... De como se encara mudanças... Mudanças fazem milagres. Pouco importa se foram boas ou ruins, alegres ou doloridas... voltamos aí ao ponto de vista. Posso garantir que, ao menos para mim, foram “proveitosas”...
Sim, pois estou tentando começar a entender, compreender, aceitar... que a melhor mudança, o melhor presente, é o PRESENTE. O que eu vivo hoje. Não o passado, nem o futuro, mas hoje. Afinal, o bom é APRENDER com o passado e não VIVER com ele. É SONHAR com o futuro e não ficar esperando INERTE por ele.
Tomo-me por sortuda por ter descoberto isso aos 31 anos... tenho, pelo menos, o dobro de anos para desfrutar disso. (É claro que espero viver muito mais que 62 anos,”Cent’anni!!”, mas enfim...)
Não me prendo mais a culpa nenhuma do passado. Se elas aconteceram (e nem foram tantas assim), é porque tinham que acontecer pra me tornar o que sou hoje. MULHER!! Com “M” maiúsculo.. “M”de Mulher e de Monya.
Enquanto eu continuar a permanecer e viver no presente, sou feliz por toda a vida. Porque toda a vida é sempre o presente. Mesmo que vez ou outra meu presente me cause alguma dor. Mas a dor é apenas a diferença do que é e do que eu quero que seja.
Por isso, ao mundo peço licença para atuar onde eu quiser. A seguir com a esperança de que esta, a esperança, é um dom que eu tenho em mim...
“Não vou morrer, ouviu, Deus?
Não tenho coragem, ouviu?”
Clarice Lispector

2 comentários:

  1. Adorei o tema amiga.
    Na verdade, muitas vezes, morremos por dentro, apesar de estarmos vivos e por vários motivos, na perda de um ente querido, por perdermos um emprego ou mesmo por não nos encontrarmos...
    E segue uma frase, que gosto muito:
    "Eu prefiro morrer, do que perder a vida!"
    Admiro sua volta por cima e sua alegria em viver!
    Beijos e bom fds!
    GUTO GUEDES

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  2. Ahhhhhh, só pq vc falou que nunca deixei comentário!!!! Tá aqui!!! Pronto!!! Na verdade, eu nunca tinha procurado a maneira de fazê-lo. É que, dentro da minha cabeça preguiçosa, era mais fácil dizer prá mim e prá todos que eu não sabia!!!! Rs!!! Preciso parar com isso... URGENTE!!!!
    Escritora preferida, vc é impecável!!!

    Bjs da sua admiradora não secreta!!!! Ahahaha!!!

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